Matéria Escrita em 8 de Agosto de 2004: Profecia?

Vamos voltar ao ano de 2004, mais precisamente no dia 8 de Agosto quando, logo após um evento de carros antigos, fui convidado pelo editor de uma revista a escrever um artigo sobre o universo Hot Rod. Lembro que houve grande repercussão esse texto, principalmente aos adeptos dos carros totalmente originais que invariavelmente não davam a devida atenção que os Hot Rods mereciam.

Quando eu leio isso, sinto um certo orgulho, pois acho que acertei em cheio. E você, o que acha? Dâ uma lida e deixe seu comentário…

Valeu!

 

“Desde os meus seis anos de idade, quando comecei a entrar para o antigomobilismo, escuto falarem sobre restaurar um carro mantendo todas as características originais ou restaurá-lo com algumas modificações visando melhorar o modelo, principalmente na parte de segurança e mecânica. As revistas americanas daquela época já falavam sobre os carros antigos modificados e foi durante esse período que tomei conhecimento pela primeira vez do termo “Hot Rod”. Quando completei dezesseis anos já possuía meu primeiro carro antigo (que possuo até hoje) e, orientado pelos então meus mestres, o sr Dino Plácido Miozzo e o sr Livio Luiz Miozzo – pai e tio respectivamente – iniciei a primeira reforma de minha pick-up Chevrolet 1954 que foi restaurada respeitando a originalidade do modelo, graças à vasta variedade de componentes que eram facilmente obtidos na saudosa rua Piratininga daquela época.

Utilizei a pick-up por vários meses, sempre mantendo sua originalidade. Enquanto a utilizava, foi nascendo dentro de mim uma tremenda necessidade de modificá-la, de transformá-la em um veículo melhor, mais exclusivo. Hoje entendo que essa necessidade veio de minha personalidade que começava a se formar.

Com o passar dos anos e graças a minha personalidade, esta pick-up se transformou em um autêntico Hot Rod e até o final do ano deverá estar nas ruas novamente com outras alterações, principalmente no que diz respeito a chassi e motorizacão. Um Hot Rod, ao meu ver, tem muito da personalidade de seu dono e o fato de optar por fazer um Hot ou manter o carro em sua total originalidade também está diretamente ligado a isso.

Baseado nos últimos eventos do qual participei, principalmente o último ocorrido em Águas de Lindóia, verifico a necessidade de uma maior união entre os adeptos dos Hot Rods (Hot Rodders) e também uma maior consideração por parte dos organizadores dos eventos que invariavelmente colocam os Hot Rodders em locais isolados do público e sem a devida (e merecida) estrutura.

É preciso enxergar que não há mais como esconder o movimento que mais cresce no mundo e no Brasil. Hoje, segundo uma publicação americana, para cada modelo original sendo restaurado há quatro ou cinco Hot Rods sendo construídos. Esse fato tem sido notado nos eventos já consagrados no Brasil através do número e variedade de Hots inscritos ou até mesmo pelos que estão passeando pelo evento.

Temos que lembrar também das empresas que estão por trás da construção desses carros exclusivos que tem marcado presença em níveis cada vez mais profissionais nesses eventos, mesmo diante de tão pouca estrutura disponibilizada.

Para o futuro, visualizo os grandes encontros de automóveis antigos preparados para receber, de igual para igual, os automóveis clássicos e os Hot Rods, com premiações e estímulos para todas as modalidades. Visualizo também uma maior união dos Hot Rodders, inclusive com Associações e Federações voltadas para uma maior organização e entrosamento do movimento.

Visualizo meu filho – hoje com quatro anos – e muitos outros jovens visitando esses eventos e deixando que sua personalidade trace o caminho a ser seguido no antigomobilismo, exatamente como ocorreu comigo, há muitos anos atrás…”

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